domingo, 30 de setembro de 2007

Solidão: tão perto e tão longe ao mesmo tempo.

“Não é bom que o homem esteja só... ” - Gn 2.18
Você assistiu o filme “O Náufrago”? Esse filme me produz uma profunda inquietação. Sempre me recordo das cenas em que Tom Hanks conversa com Wilson, a bola de voley. Aquele amigo imaginário lhe proporcionou esperanças para continuar lutando pela sobrevivência. Ninguém sobrevive sozinho. Mas, a solidão é a marca de nossos dias: Note como ela se apresenta na nossa vida cotidiana.
As pessoas nunca estiveram tão próximas umas das outras e tão distantes ao mesmo tempo. Observe quanta coisa a gente faz sem ter contato com uma pessoa.: quase todas as operações bancárias (caixa eletrônico); as informações nas grandes lojas são dadas por um terminal de computador. A própria entrada em alguns prédios é feita por um sistema de TV interna - você é visto mas não vê ninguém.
Edward Hopper (1882 - 1967) foi um pintor norte americano cuja obra é marcada por suas misteriosas representações realistas da solidão na conteporaneidade das grandes cidades. Uma de suas obras mais conhecidas, talvez seja “Nighthawks” (Aves da Noite – 1942) que mostra pessoas sentadas em um balcão de um restaurante. O intenso jogo de luz do restaurante contrasta com a noite escura e tranquila do lado de fora. Os clientes, sentados nos bancos ao redor balcão, aparecem isolados, distantes e alienados uns dos outros.
Pense nos grandes condomínios verticais, com centenas de apartamentos, em que as pessoas estão praticamente grudadas umas nas outras - alguém espirra no apartamento ao lado e o outro pode até dizer saúde; mas ao mesmo tempo são completamente estranhos uns aos outros: usam o mesmo elevador, o mesmo hall de entrada, mas nunca se encontram - tão perto... tão longe!
A solidão é essa sensação de ser "deixado de lado", rejeitado, indesejado, mesmo estando cercado de pessoas. A solidão produz um sentimento de vazio e inutilidade, e é considerada uma fonte universal de sofrimento. A solidão é uma fome de amor, fome de relacionamento que precisa ser satisfeita.
Sinceramente falando, você mesmo já não sentiu solidão em sua vida? Saiba que a solidão se apresenta em pelo menos três formas:
A solidão social, relacionada com a fome de ter um amigo, uma companhia com quem se possa repartir os sentimentos, afeições e emoções, etc. Foi esse tipo de solidão que sofreu o primeiro ser humano no mundo, uma vez que não tinha com quem conversar, planejar, sonhar. Essa solidão foi vista por Deus que disse: "Não é bom que o homem esteja só" Gn 2.18
A solidão espiritual é decorrente da separação do homem do Deus Criador. Quando o homem pecou no jardim do Éden e foi expulso do paraíso, a primeira saudade que sentiu foi de Deus.
Tinha uma esposa, tinha o trabalho mas não podia andar com Deus no jardim pelo fim da tarde, como antes. Foi essa fome de comunhão com Deus que levou o homem buscar a face de Deus: "Daí se começou a invocar o nome do Senhor "Gn 4.26"
Ainda temos a solidão cultural. Quando Deus criou o homem, deu-lhe o domínio sobre todas as criaturas da terra, bem como a responsabilidade de cuidar, cultivar e preservar o cosmos, o mundo a sua volta.
Portanto o trabalho é essencial ao ser humano para dar-lhe significado e propósito. Mas quando por incapacidade física ou por limitação de conhecimento ou até mesmo por falta de oportunidade o homem não encontra trabalho, ele não apenas encontra dificuldade em sua sobrevivência física como sofre de solidão existencial.
Enfrentando a solidão: Quem sabe você acessou o meu Blog porque está neste exato momento tentando enfrentar a sua solidão. Portanto, se a sua solidão é social, peça à Deus para que o ajude a encontrar um outro solitário e ofereça-lhe a companhia.
Se a sua solidão é espiritual, Deus diz por meio do Salmista: "Porque se meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá" (Sl 27.10) Jesus diz ...aquele que vem a mim jamais o lançarei fora" Jo 6.37"Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" Mt 28.20
Se a sua solidão é cultural quero contar uma estória: Certa vez fizeram uma pergunta a um guarda que morava numa pequena ilha, cuja única função era acender o farol no fim do dia.
Dias, meses, anos, alí, sozinho, acendendo o farol à noite, desligando pela manhã. Então lhe perguntaram o que fazia para suportar aquela solidão tanto tempo, ao que ele respondeu:
- Eu me preparo o dia inteiro para acender o farol, porque há noites em que ele é a única luz para os marinheiros no meio da tempestade. Eles sabem que eu estarei aqui, e se seguirem a luz do meu farol estarão a salvos. Como posso me sentir sozinho quando há tanta gente no mar precisando de mim?
Quem sabe a solidão de muitos está na luz apagada, ou debaixo da mesa. Um coração que não ama a Deus nem tão pouco ao próximo, quanta solidão pode sentir.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Vivendo com Sabedoria – Salmo 90


Como o tempo está passando para você? Para muitas pessoas, a vida passa e elas não vêem. Você já percebeu que as pessoas dizem "tenho tantos anos..."e que o certo é "eu não tenho mais tantos anos"? Segundo o salmista a vida ganha sentido, quando vivida com sabedoria. Nesta oração, Moisés pede para que o Senhor o ensine a contar os seus dias para que alcance um coração sábio. O que ele aprende e nos ensina neste salmo? Para viver com sabedoria é necessário:
1. Ter uma visão lúcida de você mesmo em relação à eternidade. (vv. 2-5)
"Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus" (v.2). Moisés tem esta sábia percepção de que Deus é imortal, desde sempre, sem variação sem velhice. Deus é até mesmo independente do mundo que criara.
Davi no Sl 8.3 tem a mesma visão quando contempla a criação, céus e terra, sua grandiosidade, obra das mãos divinas. Ele fica extasiado, e ao mesmo tempo, humilhado como homem, criatura, considerando a fragilidade e limitação dos homens. Diante disto pergunta: "Que é o homem?". A primeira impressão que o poeta tem é a de que o homem não é nada na vastidão do universo, na complexidade de suas obras.
O v. 4 é uma comparação como a de Is 40.15 onde as nações são como um pingo que cai dum balde, e como um grão de pó na balança". Esse texto coloca o mundo no seu contexto, que é Deus e nosso tempo de vida no seu enorme pano de fundo que é a eternidade. Tal fato humilha o orgulho humano, mas dá ânimo no que diz respeito às intervenções de Deus e o tempo certo delas. Tu reduzes o homem ao pó, e dizes: tornai, filhos dos homens. V.3 Esta visão derruba toda a arrogância humana. A vida, neste mundo, ganha sentido quando a eternidade é uma realidade. Sabe-se que a vida neste mundo é transitória, isto é, passageira. O ser humano é peregrino, forasteiro. Ao ser humano não está assegurada a continuidade de sua vida terrena no amanhã: "Não te glories do dia de amanhã porque não sabes o que trará à luz" (Pv 27.1)
A Bíblia apresenta uma série de figuras de linguagem para demonstrar a realidade tão passageira da existência humana: No Salmo 90 está registrado que "tudo passa rapidamente, e nós voamos". No Sl 144.4 "O homem é como um sopro; os seus dias como a sombra que passa" Davi disse que: "... como a sombra são os nossos dias sobre a terra e não temos permanência." I Cr 29.15 E assim constantemente orava ao Senhor: "Dá-me a conhecer, Senhor, o meu fim, e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade. Deste aos meus dias o cumprimento de alguns palmos; à tua presença o prazo de minha vida é nada" Sl 39.4,5 A palavra "floresce" indica uma paisagem revestida de novo com o frescor da manhã, e assim, a cena humana na sua totalidade: sempre se renovando, mas sempre murchando. A vida é uma rua de mão única, e não estamos voltando.
2. Ter uma visão realista da condição humana na história.
A Palavra de Deus diz claramente sobre a condição humana na história encerrando todos sem exceção debaixo do pecado. Gl 3.22 "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Diante da santa justiça de Deus o homem é golpeado pela sua ira: "Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor conturbados." Ef 2.3 descreve a mesma situação. Esta ira nos faz: Consumidos, isto é, literalmente acabados, gastos, não sobra nada. Conturbados se emprega para um exército que enfrenta derrota total.
O Salmo ainda nos diz que somos marcados pela culpa (v.8). A culpa promove um latejamento moral na alma humana "Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, e sob a luz do teu rosto os nossos pecados." Quanto aos nossos pecados ocultos, decerto incluem aqueles que gostaríamos de esconder até de nós mesmos.
3. Ter uma iniludível visão da Graça de Deus.
Deus já repreendeu os homens com a exclamação: "Tornai" agora o homem sábio ora a Deus com este mesmo clamor: "Volta-te par nós"- por meio da misericórdia. (V. 13)
É preciso saber que viver com sabedoria é viver na graça (v. 13-15) "Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos por tantos dias quantos nos tem afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade." Graça manifesta abundantemente em Jesus Cristo. Tt 2.11 afirma que a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Embora "todos os nossos dias" estejam, quanto aos nossos mérito, "na tua ira" (9), dentro da aliança, todos os nossos dias podem ser alegres. Não somente a obra de Deus há de perdurar como também a bênção dele na obra das nossas mãos.
Graça que torna eterna nossas ações finitas. Seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus; confirma as obras de nossas mãos, sim confirma as obras de nossas mãos. Quando vivemos em Deus, a vida aqui é uma inexpressiva centelha de tempo entre duas eternidades. Aqui temos a possibilidade do labor que "não é em vão". 1 Co 15.58. A medida de uma vida, afinal de contas, não está no tempo de sua duração, e sim, no que ela vale. Até que ponto sua falta será sentida?
Há uma lenda antiga que conta de um mercador de Bagdá que certo dia, mandou seu servo ao mercado. Dentro de pouco tempo o servo voltou, pálido e trêmulo, e, grandemente agitado, disse ao seu senhor:
- Lá na praça do mercado fui empurrado por uma mulher na multidão, e quando me virei, vi que era a Morte que me empurrava. Ela olhou para mim e fez um gesto ameaçador. Senhor, por favor, empreste-me seu cavalo, pois terei que fugir para evitá-la. Cavalgarei até Samarra, e ali me esconderei, e a morte não me achará.
O mercador emprestou-lhe seu cavalo e o servo saiu galopando com grande pressa. Mais tarde, o mercador desceu à praça do mercado e viu a Morte em pé entre a multidão. foi para onde ela estava e perguntou:
- Por que assustou meu servo hoje de manhã? porque fez um gesto ameaçador?
- Aquilo não era um gesto ameaçador, respondeu a morte. Foi apenas um sobressalto de surpresa. Fiquei atônita ao vê-lo em Bagdá, pois tenho um encontro marcado com ele hoje a noite em Samarra.
Cada um de nós tem um encontro marcado em Samarra. A vida é passageira e as oportunidades também .Mas é o motivo de regozijo, e não de medo, para aqueles que já colocaram sua confiança nAquele que é o único que segura as chaves da vida.

O Islamismo

A palavra islã deriva da quarta forma verbal da raiz sim: aslama, submeter-se" e significa "submissão (a Deus)"; muslim, muçulma­no, é seu particípio presente: "(aquele) que se submete (a Deus)".
Sendo uma das mais importantes religiões da humanidade, o islamismo está hoje presente em todos os continentes. É predominante no Oriente Médio, na Ásia Menor, na região caucasiana e no norte do subcontinente indiano, no sul da Ásia e na Indonésia, na África do norte e do Leste.
A Arábia, antes do islamismo, era território do politeísmo se­mítico, do judaísmo arabizante e do cristianismo bizantino. As re­giões do norte e do leste, atravessadas pelas grandes rotas comer­ciais, foram profundamente influenciadas pelo helenismo e pelos romanos. No tempo de Maomé, o culto dos deuses tribais havia rele­gado a segundo plano a antiga religião astral do Sol, da Lua e de Vénus. A principal divindade tribal era adorada sob a forma de uma pedra, talvez meteórica, de uma árvore ou de um bosque. Em sua honra erigiam-se santuários, apresentavam-se oferendas e sacrifica­vam-se animais. A existência de espíritos onipresentes, às vezes ma­lignos, chamados djins, era universalmente admitida antes e depois do advento do islamismo. Alá, "Deus", era venerado ao lado das grandes deusas árabes. As festas, os jejuns e as peregrinações eram as principais práticas religiosas. O henoteísmo e o monoteísmo do culto de al-Rahmãn também eram conhecidos. Grandes e poderosas tribos de judeus haviam-se estabelecido nos centros urbanos, como o do oásis de Yathrib, que mais tarde se chamaria Medina (Madina, "A Cidade"). As missões cristãs haviam feito alguns prosélitos (co­nhece-se um na família da primeira mulher de Maomé). No século VI d.C, Meca (Makka), com seu santuário da Caaba em torno do famo­so meteorito negro, já era o centro religioso da Arábia Central e uma importante cidade comercial. Durante toda a vida, Maomé deploraria suas estruturas sociais, a rudeza de seus cidadãos, suas desigualdades econômicas, sua moralidade decadente.
Maomé nasceu numa família de mercadores de Meca (família dos Hashimitas, tribo dos Curaixitas) em cerca de 570. Empobrecido ao morrerem os pais e o avô, lançou-se em empreendimentos comer­ciais. Aos vinte e cinco anos, casou-se com sua empregadora, uma rica viúva de quarenta anos, chamada Cadija. Por volta de 610, du­rante uma das meditações solitárias que ele fazia periodicamente nas grutas das proximidades de Meca, começou a ter visões e revelações auditivas. Segundo a tradição, o arcanjo Gabriel apareceu-lhe e mos­trou-lhe um livro, convidando-o a ler (Iqra'!, "Lê!"). Maomé descul­pou-se várias vezes por não saber ler, mas o anjo insistiu e o profeta ou apóstolo (rasul) de Deus conseguiu ler sem dificuldade. Deus re­velou-lhe, como aos profetas de Israel, a incomparável grandeza di­vina e a pequenez dos mortais em geral e dos habitantes de Meca em particular. Durante certo tempo, Maomé só falou sobre suas revela­ções e sobre sua missão profética às pessoas de sua intimidade, mas o círculo de fiéis foi ficando cada vez maior e a freqüência às reu­niões cada vez mais constante. Ao fim de três anos, Maomé começou a pregar publicamente sua mensagem monoteísta, encontrando mais oposição que aprovação, de tal sorte que os membros de seu clã tive­ram de dar-lhe proteção.
Nos anos que se seguiram, ele teve inúmeras outras revelações; várias delas iriam constituir a teologia do Corão. Uma das revela­ções, revogada mais tarde e atribuída a Satã, reservava o papel de intercessoras junto a Alá a três deusas locais muito populares. A medida que Maomé ia ganhando partidários, a oposição à sua men­sagem ficava mais intensa. Acusavam-no de mentir, pediam-lhe que fizesse milagres para provar sua qualidade de profeta e sua vida cor­ria perigo. Por isso, procurou novos quartéis para seu movimento, os quais lhe foram fornecidos por clãs de Medina, cidade situada a 400 km ao norte de Meca, que abrigava grande número de judeus. Os partidários de Maomé começaram a mudar-se para lá e, em 622, o próprio Maomé e seu conselheiro Abu-Bakr partiram em segredo para Medina. Esse acontecimento, chamado Hijra, "Emigração" (Hégira), marca o início da era islâmica. Mas a transposição para os anos da era cristã não é feita simplesmente pela adição de 622 ao ano da Hégira, pois o calendário religioso islâmico é lunar e só tem tre­zentos e cinqüenta e quatro dias.
Nos dez anos que passou exilado em Medina, Maomé continuou a receber revelações. Ao lado de suas palavras e ações (hadíth, que também fazem parte da tradição), essas revelações, fixadas por escri­to, constituem o conjunto do código da vida muçulmana. Durante esse período, o governo da vida religiosa de seus partidários conti­nuou ocupando Maomé, que também empreendeu numerosas expe­dições punitivas contra seus inimigos de Medina e em especial de Meca, cujas caravanas ele tomava de assalto. Essas ações levaram a uma guerra entre as duas cidades, durante a qual foram entabuladas conversações com vistas à conversão dos habitantes de Meca. Fi­nalmente, Maomé e seu exército ocuparam Meca, que se tornou o centro de orientação para a prece (qiblah) e lugar de peregrinação (hadj) de todos os muçulmanos. Depois de transformar o islamismo numa força temível, Maomé morreu em Medina, em 632, sem deixar herdeiro masculino.
A palavra Qur'ãn (Corão), de qara'a, "ler, declamar", é, para os muçulmanos, a palavra de Deus transmitida por Gabriel ao profeta Maomé, último de uma sucessão de profetas bíblicos. Trata-se, se preferirmos, de um novo "Novo Testamento", que não contradiz mas confirma e supera a Bíblia dos judeus e dos cristãos. Mas o Corão também tem, como Jesus Cristo na interpretação platonizante do Evangelho de João e dos Padres, a função de logos, de Verbo eterno do Deus criador. Maomé, porém, não assume essa função: não aceita que ela possa ser revestida por um ser humano, pois, embora eleito e sem faltas, Maomé é inteiramente humano. A maior parte de suas re­velações foi redigida por ele e por vários secretários. Depois de sua morte, existia grande número de textos e de testemunhas que lembra­vam suas palavras. O texto completo do Corão foi constituído sob os primeiros califas e suas variantes foram suprimidas. É composto por 114 capítulos chamados surahs, que contêm um número variável de versos chamados ãyãts. Os capítulos não estão dispostos em ordem cronológica ou tópica, mas na ordem inversa à sua extensão, de tal forma que a maior parte das primeiras revelações poéticas de Meca encontra-se no fim da coleção, enquanto as súrahs mais longas estão no começo. Cada surah tem um título e todas, com exceção de uma, começam com o verso chamado Basmallah: "Em nome de Deus, o clemente, o misericordioso" (Ba-sm-allãh al-rahmãn ai rahim). Vá­rias delas estão marcadas com letras simbólicas, que talvez indiquem a coleção à qual pertenceram. O livro é escrito em prosa rimada e contém imagens belas e fortes.
O advento do Corão realizou sua intenção original, que era abrir aos árabes o acesso à comunidade dos "povos do livro", como os ju­deus e os cristãos, que haviam recebido a Tora e os Evangelhos. Os dois grandes temas do Corão são o monoteísmo e o poder de Deus e a natureza e o destino dos homens em sua relação com Deus. Deus é o único criador do universo, dos homens e dos espíritos; é benévolo e justo. Recebe nomes que lhe descrevem os atributos, como Onisciente e Onipotente. Os seres humanos são os escravos privilegiados do Senhor e têm a possibilidade de ignorar os mandamentos de Deus, sendo muitas vezes induzidos à tentação pelo anjo decaído Iblis (Satã), expulso do céu por ter-se recusado a adorar Adão (2, 31-33; esse episódio já é encontrado no apócrifo Vida de Adão e Eva). No dia do Juízo todos os mortos ressuscitarão, serão julgados e enviados para o inferno ou para o paraíso por toda a eternidade. O Corão reinterpreta vários relatos bíblicos (Adão e Eva, as aventuras de José, o monoteísmo de Abrão e Ismael) e grande número de exortações morais que, com as tradições referentes à vida do profeta, formam a base da lei islâmica (sharVah). A generosidade e a veracidade são re­comendadas, enquanto o egoísmo dos mercadores de Meca é conde­nado irremediavelmente. As práticas fundamentais da vida religiosa do muçulmano são as preces cotidianas (salãts), a esmola, o jejum do Ramada e a peregrinação a Meca. A fórmula do culto público muçul­mano foi fixada no fim do século VII. Cada muçulmano tem de pro­nunciar as cinco orações diárias, anunciadas pelo adhãn (convoca­ção) entoado pelo muezin do alto do minarete (manãrah). Não é necessário que o muçulmano esteja na mesquita. Onde quer que este­ja, deve primeiro praticar as abluções rituais (wudã') e depois voltar-se para a direção de Meca (qiblah), recitar frases do Corão, como a shahãdah (o credo muçulmano) e o takblr {Allãhu akbar, Deus é grande), e prosternar-se duas ou mais vezes {raka 'ãt). Na mesquita, a qiblah é marcada por um nicho chamado mihrãb. As preces comuns são feitas sob a direção de um imã. Cada sexta-feira (yawm aljum'ah), o khaúb (substituto do califa ou de seu governador), que se dirige aos fiéis do alto de um púlpito (minbar), pronuncia um sermão (khutbah) diante da assembleia dos fiéis na mesquita principal. As mesquitas não têm altar, pois não são templos sacrificais, como al­gumas igrejas cristãs, nem lugares em que são depositados os rolos santos da revelação escrita, como as sinagogas judias. Contudo, a mesquita (masjid) é um lugar sagrado; pode conter o túmulo de um santo ou relíquias do Profeta.
À reforma religiosa de Maomé seguiram-se reformas sociais e legais. É assim que a tradição muçulmana forma a base da justiça social, das regras recíprocas de comportamento dos cônjuges, dos pais e das crianças, dos proprietários de escravos, dos muçulmanos em relação aos não-muçulmanos. A usura é proibida; são proclamadas leis alimentares. A situação das mulheres melhora: elas recebem a metade da herança recebida pelos homens. A casuística corânica fixa em quatro o número de esposas permitidas, mas recomenda só ter uma. As interpretações dessa prática feitas pelos estudiosos são contraditórias.

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ELIADE, Mírcea; COULIANO, Ioan P. Dicionário das Religiões. 2a ed. Trad. Ivone Castilho Benedetti. São Paulo, SP, Ed. Martins Fontes, 2003 - Capítulo 20.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Igreja no Second Life


O mundo virtual trouxe para nós a possibilidade de criarmos alternativas no processo de comunicação estabelecendo vários níveis nestas relações interativas. Vários ambientes estão sendo criados num processo contínuo e sem fim. Temos ambientes de socialização, como: messengers, skype, orkut, You tube etc, onde as pessoas interagem por horas sem fim. Em alguns lares, fica mais fácil interagir com os filhos por meio destes ambientes do que na vida real.
A nova febre do momento é o ambiente virtual tridimensional chamado Second Life - SL (Segunda Vida). A empresa Linden Research Inc foi quem desenvolveu esse ambiente no ano de 2003. O SL serve como jogo, simulador, rede social e até mesmo para comércio. Baixa-se a plataforma “free” e após cadastro, você cria o seu avatar (personagem). Parece que o mundo de matrix não está tão distante da realidade. Não se sabe mais o que é mundo virtual e o que é real como se vê a seguir.
Nesta vida paralela, quase tudo é possível, desde voar até ser teletransportado para outro lugar (a distância não é problema). Você pode até mesmo ter uma outra personalidade e extravasar seus desejos mais ocultos soltando sua imaginação. Algumas pessoas relatam que a vida no SL é melhor do que na vida real. No entanto, para se fazer tudo o que se quer é preciso ganhar dinheiro virtual como no mundo real. Você pode comprar casa, carro e uma infinidade de objetos de consumo. Como o ambiente é interativo, você pode trabalhar para outros avatares, ou construir objetos como fonte de renda. Algumas pessoas optam pela prostituição no ambiente para ganhar os Lindens – a moeda do SL. Casamentos estão sendo desfeitos na vida real como no caso de um marido que descobriu que sua esposa era uma prostituta no SL. Crimes virtuais como pedofilia e racismo também presentes em outros ambientes são difíceis de ser controlados no SL.
O ambiente já conta com mais de 8 milhões de usuários que se conectam de todas as partes do mundo. A banda U2 já lançou o seu show de rock no Second Life. Grandes empresas do mundo todo, como a IBM, Sony, Warner Bros., Reebok, Adidas, Sun Microsystems, Dell e muitas outras já estão por lá. A Wolkswagem já faz propaganda dos seus carros neste ambiente, e até mesmo possui um território próprio, pois ali é possível dar os primeiros passos para uma negociação. No Brasil, a Universidade Presbiteriana Mackenzie também se inseriu como outras grandes Universidades.
Note que você pode comprar as moedas com o dinheiro real e também ganhar Linden Dollar no jogo e convertê-los no site novamente para dinheiro real, portanto o SL pode ser uma fonte de lucro muito rentável.
É possível criar grupos no Second Life convidando pessoas. Basta se aproximar de um avatar (personagem) e comunicar-se através do teclado (e também por voz, em fase de testes). É possível emitir sons pré-gravados, fazer gestos, empurrar, olhar (virar a cabeça, olhos e corpo), além de outras expressões corporais e o uso de objetos com dois ou mais personagens de uma vez.
Diante destas possibilidades podemos construir templos, ter um coral, uma equipe de louvor e até um Pastor ministrando a Palavra no ambiente. Mas, lembre-se que o local precisa ser alugado ou comprado. Um terreno comercial de auto padrão na ilha de Copacabana - RJ com 2.166m2 custa R$422,90 de aluguel mensal (rss). Para construir um imóvel você tambem terá que pagar.
Será que o "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura..." inclui o mundo virtual? O Second Life é um campo missionário para enviarmos os nossos missionários por meio de avatares para falarmos do Evangelho às pessoas que lá estão para encontrar a verdadeira vida real que é Cristo? Devemos plantar igrejas no SL? Parece loucura, mas temos que pensar a respeito. Afinal, milhares de pessoas estão interagindo nesse ambiente tentando preencher o vazio de suas vidas. Quem vai chegar primeiro?

sábado, 8 de setembro de 2007

A música sagrada de John Coltrane


Uma de minhas paixões é o Blues, principalmente acompanhado de uma gaita diatônica. Sempre amei este estilo musical e o pequeno instrumento. Depois de apanhar muito como autodidata, resolvi procurar um bom professor, o que era raro na ocasião (2001). Acabei encontrando o Robson Fernandes, um virtuose da Gaita Blues com quem tive aulas por aproximadamente 2 anos. Com Robson, conheci um vasto repertório de Blues e Jazz. Robson é aficcionado pelo saxofonista de Jazz John Coltrane que tocou com Dizzie Gileespie e Miles Davis, tanto é que o tatuou em seu antebraço. Para Robson, a música de Coltrane tem algo de místico e sagrado. Confessou que todas as manhãs ouvia uma de suas composições intitulada “A Love Supreme” como se fosse um ritual religioso. Como sou curioso por natureza, fui investigar a vida desse Gigante do Jazz. Segundo a Wikipidia , “John William Coltrane (Hamlet, 23 de Setembro de 1926 - Nova Iorque 17 de julho de 1967) atuou principalmente durante as décadas de cinqüenta e sessenta. Comumente considerado pela crítica especializada como o maior sax tenor do Jazz e um dos maiores jazzistas e compositor deste gênero de todos os tempos. Sua influência no mundo da música ultrapassa os limites do Jazz, indo desde o Rock até a Música Erudita.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Coltrane) No começo dos anos 50, Coltrane quase morreu de overdose em São Francisco EUA. "Trane" foi alcançado pela graça, conheceu a Cristo e se recuperou das drogas. Algumas de suas melhores composições de jazz aconteceram depois de sua conversão, incluindo “A Love Supreme” (1964). Segundo o próprio Coltrane, o instrumental é um ardente derramar de ações de graças a Deus pela sua bênção e oferecimento de sua alma. Conta-se que depois de uma apresentação extraordinária dessa composição, Coltrane disse: “Nunc dimittis”. São as palavras em latim do começo da oração de Simeão “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque os meu olhos já viram a tua salvação.” (Lc 2.29,30). Coltrane afirmou que jamais poderia tocar novamente essa composição com tamanha perfeição. Para ele, se sua vida inteira tivesse sido vivida para aqueles trinta e dois minutos de oração e louvor em forma de jazz, teria valido a pena. Ele estava pronto para morrer. Ele morreu 3 anos depois (1967). Hoje, existe uma igreja chamada "Saint John Coltrane Church" em São Francisco. Seus membros, na maioria músicos de jazz, tocam suas composições durante os cultos. (http://www.coltranechurch.org/) Não é estranho portanto que a música falou ao coração de Robson e serviu de ponte para que eu lhe falasse do Amor Supremo de Deus. Não posso afirmar que ele se entregou a Cristo, todavia a música de John Coltrane vai soar aos seus ouvidos para o resto de sua existência como uma doce melodia do amor de Cristo.
Linkei no meu blog vídeos de John Coltrane. Vale a pena ouvir.