quinta-feira, 22 de novembro de 2007

As primeiras gravações de pregações

Se você é evangélico, certamente já ouviu falar de uma mensagem gravada em vinil intitulada “A Última Trombeta”. Trata-se de uma revelação em sonho a respeito dos últimos acontecimentos narrados no livro do apocalipse. O que poucos sabem é que a origem destas gravações está ligada as raízes do holy blues.
Com o passar do tempo, ficou evidente que o blues não era a única música negra que as companhias fonográficas podiam explorar com sucesso. Começaram a recrutar pregadores negros para que gravassem sermões de três minutos de duração interrompidos por shouts e cantos congressionais. “As an Eagle Stirreth Up Her Nest”, de Calvin Dixon, foi a primeira destas gravações, em 1925, e se pode dizer que o gênero funcionou bem até o aparecimento do LP. As gravações dos pregadores cantando e recitando sermões para animar a congregação aumentaram depois de 1926 quando “The Dawnfall of Nebuchadnezzar”, do reverendo J. C. Burnett, vendeu mais de oitenta mil cópias e quando o reverendo J. M. Gates gravou “Death's Black Train Is Coming”, fez soar animadamente as caixas registradoras. Paul Oliver, em Songsters and Saints Vocal Traditions on Race Records (1984), assinalou: “Com o tempo, aproximadamente no espaço de uma dúzia de anos, se editaram 750 sermões de uns setenta pregadores».
O mais popular foi o Rev. J.M. Gates, que gravou uns duzentos títulos entre 1926 e 1941. Alguns, como “The Need of Prayer” (1926), incluem comovedores exemplos dos canto de lamentos que Higginson ouviu nos acampamentos durante a guerra civil. Outros seguramente captaram compradores pelos títulos impactantes, entre os quais se incluem “Dead Cat on the Line”, “Manish Women” e “Speed On, Hell Is Waiting for You”, uma advertência aos motoristas imprudentes. Gates utilizava os temas e jargões do momento como parte do seu atrativo. Sua mensagem de 1930 sobre a Depressão, “These Hard Times”, usava a expressão “Its tight like that” para indicar a escassez nacional de trabalho, dinheiro e comida. O reverendo Gates foi provavelmente o pregador que teve mais sucesso de todos os que gravaram discos, o que impressionou a Thomas Edison (o inventor do gramophone e da luz elétrica) , que anotou no seu arquivo de audições: “Pode ser que este senhor seja maravilhoso, mas eu não sei o que fazer com ele. 9/10/26”.
Além do enorme sucesso dos sermões com canções gravadas pelos batistas como Gates e o reverendo A. W Nix, surgiram as gravações com veementes exortações (com música equiparável) dos pregadores das igrejas holiness (santificados) como o Rev. D. C. Rice e E W MacGee. Os pregadores das Igrejas Santificadas (Holiness e Pentecostal) podiam estar acompanhados de um piano sincopado, cornetas, trombones e pandeiros, ou violões e até mandolins, gaitas, jarras e tábuas de lavar (um grupo de jarras holiness aparecem nas gravações de 1928 dos Elder Richard Bryants Sanctified Singers).

Um comentário:

Lucas disse...

Tem tudo do Rev. Gates nesse blog aqui:

http://crossroadsclub27.blogspot.com/2008/02/reverend-jm-gates-complete-recorded.html