sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O Budismo

Buda, palavra que significa, em páli e sânscrito, "Iluminado" ou "Desperto", foi, segundo todas as probabilidades, uma personagem histórica. Contudo, em suas Vidas ou jãtakas, os dados mitológicos predominam a ponto de transformá-lo em protótipo do "homem divino", segundo a tradição indiana (ver Jainismo, 21.3) - que pertence a um sistema encontrado também em outras áreas geográficas. Esse sistema apresenta elementos comuns com os theioi andres dos gregos e com as biografias mais tardias de outros fundadores de religiões, como Mani, etc. Embora seja impossível discernir os elementos históricos, devem ser levadas em conta várias informações, segundo as quais o futuro Buda teria sido filho de um régulo do clã Sãkya, no noroeste da índia. As cronologias de seu nascimento variam de 624 a 448 a.C. Sua e morre alguns dias depois do parto, não sem ter sido beneficiada por todas as premonições que lhe anunciavam ter ela dado à luz um ser miraculoso. Segundo as versões docetas do nascimento de Buda, sua concepção e sua gestação foram imaculadas e o parto, virginal. Seu corpo teria revelado todos os sinais de um rei do mundo.
Aos dezesseis anos, Siddhãrtha casa-se com duas princesas e leva uma vida sem preocupações no palácio paterno. Mas, saindo três vezes do palácio, toma conhecimento dos três males inelutáveis que afligem a condição humana: velhice, sofrimento e morte.
Saindo uma quarta vez, vislumbra o remédio para eles ao contemplar a paz e a serenidade de um asceta mendicante. Ao acordar no meio da noite, os corpos flácidos de suas concubinas adormecidas revelam-lhe mais uma vez o caráter efêmero do mundo. Deixando rapidamente o palácio, entrega-se à ascese, mudando o nome para Gautama.
Depois de abandonar dois mestres que lhe ensinam, respectivamente, a filosofia e as técnicas da ioga, pratica um regime de mortificações muito severas em companhia de cinco discípulos. Mas, compreendendo a inutilidade desse tipo de ascese, aceita uma oferenda de arroz e ingere-a. Indignados com essa prova de fraqueza, seus discípulos o abandonam.
Sentando-se sob uma figueira, Sãkyamuni (asceta do clã dos Sãkyas) decide não se levantar antes de ter atingido a Iluminação. É assediado por Mãra, que conjuga em si a Morte e o Diabo. Ao alvorecer, vence-o e torna-se Buda, possuidor das Quatro Verdades que, em Benares, passa a ensinar aos discípulos que o haviam abandonado. A primeira Verdade é que tudo é Sofrimento (sarvam duhkham): "O nascimento é Sofrimento, o declínio é Sofrimento, a doença é Sofrimento", tudo o que é efêmero (anityá) é Sofrimento (duhkha). A segunda Verdade é que a origem do Sofrimento é o Desejo (trsna). A terceira Verdade é que a abolição do Desejo acarreta a abolição do Sofrimento. A quarta Verdade revela o Caminho Octuplo (astapãdà), ou o Caminho do Meio, que leva à extinção do Sofrimento: Opinião (drstt), Pensamento (sam-kalpa), Palavra (vãk), Ação (karmanta), Meios de existência (ajiva), Esforço (vyayama), Atenção (smrtí) e Contemplação (samãdhi). As quatro verdades estão próximas da mensagem original de Buda.
Após esse primeiro sermão em Benares, a comunidade (samgha) de convertidos enriquece-se espetacularmente com brâmanes, reis e ascetas - demais para o gosto do Iluminado, que é obrigado a abrir às mulheres a via do monaquismo. Nessa ocasião ele prevê o declínio da Lei (dharma). Ciúmes de rivais e absurdas rixas de monges não são poupados a Buda. Seu primo Devadatta, segundo algumas fontes, teria tentado matá-lo para sucedê-lo. Com a idade de oitenta anos, Buda teria expirado em conseqüência de uma indigestão. Segundo os eruditos, detalhes desse tipo são embaraçosos demais para a religião para que sejam inventados; é, portanto, provável que sejam verdadeiros.
A vasta literatura sobre o budismo deve ser classificada segundo a divisão tradicional do tripitaka, "coleção tríplice" dos sútras (as logias do próprio Buda), do vinaya (disciplina) e do abhidharma (doutrina). Acrescentam-se-lhes numerosos sãstras, tratados sistemáticos de autores conhecidos, jãtakas ou Vidas de Buda, etc.
Subsistem três tripitakas; um fragmentário dos monges Thera-vãda do Sudeste Asiático, redigido em páli; um dos Sarvãstivãda e dos Mahãsãnghika, em traduções chinesas; e, finalmente, as coleções tibetanas (Kanjur e Tanjur), que são as mais completas. Também chegaram até nós numerosos escritos em sânscrito.
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ELIADE, Mírcea; COULIANO, Ioan P. Dicionário das Religiões. 2a ed. Trad. Ivone Castilho Benedetti. São Paulo, SP, Ed. Martins Fontes, 2003 - Capítulo 6.

3 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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