domingo, 4 de maio de 2008

A BONDADE DE DEUS - Tg 1.16-18

Lendo as Escrituras com atenção, veremos que a bondade é um dos atributos de Deus que aparece com mais frequência na história sagrada.
Jesus Cristo falou da singularidade da bondade de Deus ao afirmar ao jovem rico: “Ninguém é bom senão um só, que é Deus”(Mc 10.18). Só Ele, e ninguém mais, é a fonte de todo o bem. Todos os atos de bondade e ternura têm sua origem na pessoa de Deus.
A bondade de Deus resume o caráter de seu grande amor, de sua infinita graça e de sua incomensurável compaixão e paciência em relação ao pecador. Se não fosse pela aplicabilidade deste importante atributo de Deus, o mundo já não existiria mais. Se não fosse pela bondade de Deus, a vida seria impossível de ser vivida.
Atentando para o contexto do primeiro capítulo, veremos que este trecho está interligado à seção anterior, onde o autor fala da origem do pecado e da tentação. Ali ele fala da impossibilidade da autoria divina quanto ao pecado e tentação.
Aqui, no texto em apreço, ele enfatiza a grande verdade da bondade de Deus. Ele é a fonte de tudo quanto é bom; a bondade “vem do alto... do Pai dos luzes... “(v. 11). Esta expressão “Pai dos luzes” deve ser entendida como referindo-se aos corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas (SI 136.1-9; Jr 31.35). Estas “luzes” variam na duração do dia e da noite, nas fases do crescimento e do desfalecimento, no brilho diferente das estrelas e planetas. Podemos entender Tiago dizendo da variação das luzes, mas o “Pai das luzes’ o Criador, é imutável; nele não há “variação, ou sombra de mudança”(v. 11). Na prática de sua bondade, dando “boas dádivas”, Ele é imutável.
No v.1 8, Tiago mostra o aprofundamento da bondade de Deus, dando-nos a oportunidade de renascer pela “palavra da verdade". Neste “novo nascimento”, tornamo-nos “primícias de suas criaturas”(v. 18). No mundo antigo, existia a lei de que as primícias eram sagradas para Deus e oferecidas a Ele (Rm 11.16).
Quando renascemos pela palavra do Evangelho, tornamo-nos propriedade exclusiva de Deus (1 Pe 2.9,10): Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. Tiago insiste que, diferentemente do homem, as dádivas de Deus são invariavelmente boas. Em todas as mudanças de um mundo mutável elas não variam. E o supremo propósito de Deus é recriar vidas através da verdade do Evangelho, e então esses homens saberão que pertencem a Ele de direito”.
Da reflexão do texto sobre a bondade de Deus, podemos fazer as seguintes considerações:
1. BONDADE PROVENIENTE DO CARÁTER DE DEUS. Deus é perfeito em benevolência e o supremo bem para todas as suas criaturas. Esta realidade não poderia ser diferente, pois este é o caráter de Deus: só Ele é bom (Mc 10.18); ele é a essência da bondade e todo o seu agir é permeado por esta bondade, que é proveniente de seu próprio caráter. Tiago fala desta realidade rogando à igreja que não se engane, pois “toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai dos luzes... “(1.17). “Sua bondade leva-o a tratar benigna e generosamente a todas as Suas criaturas (SI 36.6; 104.21; 45.8,9; Mt 5.45; At 14.17).
Esta bondade tem manifestações diversas: Quando Seu amor se revela no perdão ao pecador, é chamado Sua graça: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,” Tt 2.11. Ao aliviar a miséria daqueles que sofrem as consequências do pecado, é chamado misericórdia ou compaixão. Ef 2.4 nos diz que Deus é rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e quando mostra paciência para com o pecador que não atende às instruções e avisos do Seu Criador, chama-se longanimidade (Rm 2.4; 9.22)”
Para Tiago, a bondade de Deus independe das circunstâncias ou do próprio homem. A bondade divina é proveniente de seu caráter e é imutável, ou seja, nenhuma situação, ou nenhum pecado, ou erro, mudará a forma bondosa de Deus tratar o homem.
No ser humano há sempre uma variação de mudança, e a bondade de Deus é revestida de uma total imutabilidade; segundo Tiago, n’Ele “não pode existir variação ou sombra de mudança”(l .17).
Esta imutabilidade da bondade de Deus, vinda de seu caráter, é um desafio à igreja cristã para uma prática mais intensa da bondade. Até que ponto temos imitado a bondade de Deus nos nossos relacionamentos? Às vezes, somos apegados à verdade de Deus e, em nome da verdade, não agimos de acordo com a bondade de Deus.
2. BONDADE EXPRESSA NAS DÁDIVAS DE DEUS. A bondade de Deus, proveniente de seu caráter, materializa-se através de “boas dádivas’ Frequen­temente, ouvimos pessoas questionarem Deus, até mesmo sua existência, a partir das coisas ruins que aconte­cem no planeta. Dizem: “Onde está Deus diante das calamidades das enchentes ou da seca?” “Onde Deus está diante das guerras e da fome?”
Não podemos culpar a Deus pelas nossas desgraças, até porque, elas são fruto da própria ação devastadora do homem nos vários âmbitos da vida na terra. Tudo que Ele criou era e é bom (Gn 1.10, 12, 18); suas dádivas são plenamente boas; é só lembrar da água, do ar, do alimento, da saúde, da própria vida, da natureza e sua incomensurável beleza; tudo isto mostra a concretização da bondade do Deus Eterno.
Você é uma pessoa bondosa? Será que as pessoas que convivem com você percebem em sua vida a bondade de Deus? O seu agir no mundo é mau ou bom? Produz vida ou morte? A igreja cristã é a grande responsável para transmitir a bondade de Deus no mundo.
Deus nos trata com bondade - sejamos bondosos;
Deus trata com amor - sejamos amorosos;
Deus nos trata com perdão - sejamos perdoadores;
Deus nos trata com paciência - sejamos pacien­tes.
Imitemos o agir do nosso Deus, expressando sua bondade na nossa maneira de agir (1 Jo 2.6).
3. BONDADE ENFATIZADA NA CRIAÇAO DE DEUS. Na extrema bondade de Deus, seu propósito é completamente gracioso. segundo seu querer, ele nos gerou pelo palavra da verdade, poro que fôssemos como primícias de suas criaturas “(1.18). Esta é a melhor das boas dádivas divinas: o novo nascimento, a partir das boas-novas do Evangelho.
Tiago apela ao ‘novo nascimento’ espiritual dos cristãos como uma ilustração particularmente notável das boas coisas que Deus concede”.
O apóstolo Paulo fala da “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo como obra da misericórdia e bondade de Deus (Tt 3.4,5). Se alguém está em Cristo dizia ele, é nova criatura... (2 Co 5.1 7). J. B. Phillips traduz o versículo 18 assim: “Por sua vontade pessoal ele nos fez seus filhos mediante a palavra da verdade, para que pudéssemos ser, por assim dizer, as primeiras amostras de sua nova criacão” . O novo nascimento, fruto da bondade de Deus, tem um propósito específico, qual seja, a proclamação das virtudes do Reino (1 Pe 2.9).
Somos “amostras” de sua nova criação; somos, como novas criaturas, a ênfase da bondade de Deus. Daí, a grande responsabilidade que pesa sobre os ombros da comunidade cristã. Ela é vitrine para o mundo.
No mundo, o que impera é a maldade; na igreja deve imperar a bondade. O mundo age de acordo com as regras do mundo; a igreja precisa agir de acordo com os padrões divinos, por isso a bondade deve permear toda a ação da igreja. Afinal, a ela foi confiada a proclamação da palavra da verdade, meio pelo qual a bondade será exemplificada nas novas vidas da nova criação de Deus.

2 comentários:

Juliana Bragança disse...

oi pastor!
muito boa a palavra, mtas vezes só percebemos a vontade de Deus, mas nao a imitamos!
e nunca tinha reparado no termo "Pai das luzes", bem legal tb!
fica com Deus
bjos

Pr. Carlos Roberto disse...

Prezado amigo Rev. Bertoni,
Graça e Paz!

Excelente seu texto!
Uma boa oportunidade para refletirmos sôbre as ações da Igreja moderna, se estão de acordo com os padrões divinos de bondade.

Me parece que as muitas atividades paraclesiásticas, exigidas pelo mundo moderno, levam a Igreja em sentido oposto dam sua vocação.

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Pr. Carlos Roberto